segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CARANGUEJO-GUAIAMUM

Nome popular: Caranguejo-guaiamum.


Nome científico: Cardisoma guanhumi.


Peso: Aproximadamente 1 kg.


Tamanho: Variando entre 12 e 18 cm.


Habitat: Manguezais, restingas, áreas alagadas, margens de estuários e zonas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos.


Local onde é encontrado: No Brasil, é encontrado principalmente ao longo das regiões Norte, Nordeste e Sudeste.


Motivo da busca: Espécie ameaçada de extinção! 



Caranguejo-guaiamum (Cardisoma guanhumi): aspectos biológicos, ecológicos e conservacionistas


O Caranguejo-guaiamum (Cardisoma guanhumi) é um crustáceo decápode pertencente à família Gecarcinidae, grupo que reúne espécies predominantemente semiterrestres, associadas a ambientes costeiros tropicais e subtropicais. Descrito originalmente por Latreille em 1828, o guaiamum destaca-se por seu grande porte, coloração característica e elevada importância ecológica, cultural e socioeconômica, especialmente para populações tradicionais do litoral brasileiro.


Trata-se de uma das maiores espécies de caranguejos semiterrestres do Brasil. Indivíduos adultos apresentam largura de carapaça variando entre 12 e 18 cm, podendo alcançar massas corporais próximas a 1 kg. Os machos tendem a ser maiores que as fêmeas, exibindo quelas mais desenvolvidas. A coloração varia do azul-acinzentado ao azul-arroxeado intenso, principalmente nos apêndices e quelas, característica marcante da espécie e frequentemente associada à maturidade sexual.


O C. guanhumi apresenta ampla distribuição no Atlântico Ocidental, ocorrendo desde regiões do sudeste dos Estados Unidos e Caribe até o litoral brasileiro. No Brasil, é encontrado principalmente ao longo das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, associado a manguezais, restingas, áreas alagadiças, margens de estuários e zonas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos.


Embora possua hábitos predominantemente terrestres, a espécie mantém forte dependência de ambientes aquáticos, especialmente para fins reprodutivos. Os indivíduos constroem tocas profundas no solo, frequentemente superiores a um metro, utilizadas como abrigo e local de termorregulação.


O caranguejo-guaiamum apresenta dieta onívora e oportunista. Alimenta-se de matéria vegetal (folhas, frutos e sementes), matéria orgânica em decomposição, pequenos invertebrados e restos de animais mortos. Esse comportamento alimentar contribui diretamente para a ciclagem de nutrientes e para a manutenção da dinâmica ecológica dos ecossistemas costeiros, especialmente manguezais e restingas.


A reprodução de Cardisoma guanhumi está fortemente relacionada ao regime de marés e às fases lunares, ocorrendo preferencialmente durante períodos de lua cheia ou lua nova. Apesar da vida terrestre, as fêmeas realizam migrações reprodutivas até ambientes de água salobra ou marinha, onde liberam os ovos fecundados.


Cada fêmea pode produzir dezenas de milhares de ovos por ciclo reprodutivo. O desenvolvimento inicial ocorre no ambiente aquático, com estágios larvais planctônicos (zoea e megalopa), seguidos do retorno dos juvenis ao ambiente terrestre após a metamorfose.


O guaiamum desempenha papel fundamental nos ecossistemas costeiros, atuando como agente de aeração do solo por meio da escavação de tocas, reciclador de matéria orgânica e elo relevante na cadeia alimentar, servindo de presa para aves, répteis e mamíferos. Sua presença está frequentemente associada a ambientes relativamente conservados, podendo ser considerada indicadora de qualidade ambiental em determinados contextos.


O Cardisoma guanhumi encontra-se classificado como espécie ameaçada de extinção em avaliações nacionais, incluindo listas do ICMBio. O declínio populacional está associado principalmente à degradação e perda de habitat, especialmente manguezais, à captura excessiva e predatória, à retirada de fêmeas ovadas e indivíduos jovens, além da poluição dos ambientes costeiros.


O Caranguejo-guaiamum constitui uma espécie-chave para os ecossistemas costeiros brasileiros, desempenhando funções ecológicas essenciais e mantendo forte relação histórica com comunidades tradicionais. A conservação da espécie depende da proteção efetiva de seus habitats, do cumprimento do período de defeso, do manejo sustentável e do fortalecimento de ações de educação ambiental, visando garantir a manutenção de suas populações e dos serviços ecossistêmicos associados.


Ramon Ventura.

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