Nome científico: Ucides cordatus.
Peso: Entre 150 e 300 g.
Tamanho: Entre 6 e 9 cm.
Habitat: O habitat da espécie é restrito a manguezais bem estruturados.
Local onde é encontrado: No território brasileiro, encontra-se amplamente distribuído ao longo de praticamente todo o litoral, desde o Amapá até Santa Catarina.
Motivo da busca: Espécie ameaçada de extinção!
Caranguejo-uçá (Ucides cordatus): aspectos biológicos, ecológicos e conservacionistas
O Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) é um crustáceo decápode pertencente à família Ocypodidae, amplamente reconhecido como uma das espécies mais representativas dos ecossistemas de manguezais do Atlântico Ocidental. Trata-se de uma espécie de elevada importância ecológica, econômica e cultural, especialmente para comunidades tradicionais extrativistas do litoral brasileiro. Descrito originalmente por Linnaeus em 1763, o uçá é considerado um organismo-chave para a manutenção da estrutura e do funcionamento dos manguezais.
O U. cordatus apresenta corpo robusto, com carapaça larga e resistente. A largura da carapaça em indivíduos adultos varia, em média, entre 6 e 9 cm, podendo alcançar valores superiores em machos plenamente desenvolvidos. O peso médio situa-se entre 150 e 300 g, dependendo da idade, sexo e disponibilidade alimentar. Os machos geralmente apresentam quelas maiores e mais desenvolvidas, utilizadas tanto na alimentação quanto em interações territoriais.
A coloração da carapaça varia do marrom-escuro ao castanho-esverdeado, frequentemente camuflada pelo ambiente lodoso do manguezal, característica que favorece a proteção contra predadores.
O caranguejo-uçá possui ampla distribuição ao longo da costa atlântica da América, ocorrendo desde o sul da Flórida, Caribe e América Central até o litoral do Brasil. No território brasileiro, encontra-se amplamente distribuído ao longo de praticamente todo o litoral, desde o Amapá até Santa Catarina, sempre associado a áreas de manguezal.
O habitat da espécie é restrito a manguezais bem estruturados, onde constrói tocas profundas no sedimento lodoso, frequentemente próximas às raízes aéreas de árvores do gênero Rhizophora, Avicennia e Laguncularia. Essas tocas funcionam como abrigo, local de descanso e proteção contra variações de temperatura e salinidade.
O Ucides cordatus apresenta hábito alimentar predominantemente herbívoro-detritívoro. Sua dieta é composta majoritariamente por folhas de mangue, especialmente de Rhizophora mangle, além de matéria orgânica em decomposição, algas e microrganismos associados ao sedimento. Esse comportamento alimentar exerce papel fundamental na dinâmica do manguezal, contribuindo para a fragmentação da serapilheira vegetal e a ciclagem de nutrientes, processos essenciais para a produtividade do ecossistema.
A reprodução do caranguejo-uçá está intimamente associada aos ciclos lunares e ao regime de marés, fenômeno conhecido popularmente como “andada”. Durante esse período, geralmente relacionado às luas cheia e nova, os indivíduos abandonam temporariamente suas tocas para o acasalamento.
Após a fecundação, a fêmea carrega os ovos aderidos ao abdômen, caracterizando um período de incubação que pode durar várias semanas. A liberação das larvas ocorre em águas estuarinas ou marinhas, onde passam por estágios larvais planctônicos (zoea) antes de retornarem ao manguezal como juvenis, após a metamorfose.
O caranguejo-uçá desempenha papel ecológico crucial nos manguezais, atuando como:
- Principal agente de decomposição da serapilheira vegetal;
- Regulador da estrutura do solo, por meio da escavação de tocas;
- Elo importante da cadeia alimentar, servindo de presa para aves, peixes, répteis e mamíferos.
A presença do U. cordatus está diretamente relacionada à saúde e produtividade dos manguezais, sendo considerado um bioindicador da integridade desses ecossistemas.
O Ucides cordatus encontra-se sob pressão crescente e já foi classificado como espécie ameaçada em avaliações regionais, principalmente devido à intensa exploração extrativista. Entre os principais fatores que colocam a espécie em risco de extinção, destacam-se:
- Captura excessiva e predatória, especialmente durante o período reprodutivo;
- Destruição e degradação dos manguezais por expansão urbana, aquicultura e poluição;
- Retirada de indivíduos jovens e fêmeas ovadas;
- Doenças que afetam populações locais, como a chamada “doença do caranguejo letárgico”.
A exploração desordenada compromete diretamente a reposição populacional da espécie e a sustentabilidade da atividade extrativista.
Como forma de proteção, foram estabelecidos períodos de defeso, nos quais a captura, transporte e comercialização do caranguejo-uçá são proibidos. Além disso, ações de educação ambiental, fiscalização e manejo sustentável são fundamentais para garantir a manutenção das populações naturais e a preservação dos manguezais.
O Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) é uma espécie de importância estratégica para os ecossistemas costeiros e para a subsistência de inúmeras comunidades tradicionais. Sua conservação está diretamente vinculada à proteção dos manguezais e ao uso sustentável dos recursos naturais. A manutenção de populações saudáveis do U. cordatus é essencial para a estabilidade ecológica, econômica e social das regiões costeiras brasileiras.
Ramon Ventura.

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